Compositor: Domingo Maza Girón
Touro bravo, de pelo rosilho
Chifres íntegros e mestre em fugir
Nunca cruzava o descampado pra pastar em campo aberto
Vivia no mato mais fechado, berrando feito uma fera
Encontrá-lo significava presságio
De uma desgraça chegado
Pois ele tinha uma mania ruim, girava rápido como um pião
E no meio da corrida, erguia o cavalo nas pontas dos chifres
Tinha os chifres manchados de sangue
Vários cavalos na sua conta
Ninguém queria ir atrás dele, até o laçador mais famoso
Voltou uma tarde derrotado, e o bicho escapou outra vez
(Ih, moçada!)
Pendurei a vida nas tiras do laço
Já era um duelo entre nós dois
Vou apertar o meu laço trançado nesse bicho bravo e traiçoeiro
Ele acabou com a minha paciência e com o meu orgulho de boiadeiro
Não para agora!
Nesse ritmo, mando a segunda parte
E vamo que vamo!
Meu cavalo, um zaino com mancha branca na teste
Veterano e bom de rédea
Atrevido para o gado, quanto mais arisco o bicho, melhor ele ficava
Me protegi com o gibão de couro e me joguei pela trilha
Ele já berrava no limiar do mato
E eu fui pra cima dele contra o vento
Soprava um vento norte, nem te conto, ele foi o meu melhor aliado
Pequei ele de perto com o cavalo e ali mesmo já arrochei o laço
Pensei em capar o bicho para virar boi de carroça
Para cobrar pelas maldades dele
Mas, ao ver tanta teimosia, com os chifres riscando o chão
Enterrei minha faca caroneira até o cabo, de uma vez só
O couro daquele rosilho
Eu guardei para as minhas lembranças
Oito braças, seis tentos, uma relíquia que é uma beleza
Hoje, aquele bravo e traiçoeiro vive de enfeite no meu arreio